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27 de jul de 2017

Zoologist Parfums Panda 2017 - Fragrance Review


Português (click for english version):

Quando eu tive a oportunidade de conhecer os produtos da Zoologist em 2015 a marca ainda estava começando a se firmar no mercado da perfumaria de nicho e independente. Lembro-me de ter sido surpreendido com a interessante ideia de um projeto que tirava inspiração dos animais em colaboração com perfumistas criativos e independentes para sair da zona de conforto que o mercado se encontrava. Foram apenas 2 anos mas o rápido crescimento e reconhecimento certamente fizeram com que o projeto parecesse que estivesse a muito mais tempo no mercado. E com o desenvolvimento da marca seu idealizador, Victor Wong, sentiu a necessidade de voltar em suas primeiras criações e adequá-las ao momento atual que ela se encontra.

Por mais interessante que a versão original de Panda fosse seu perfume era de uma personalidade muito intensa e algo com um apelo talvez um pouco limitado. Pensado nisso surge esse ano uma nova versão de Panda, que mantém a ideia zen do original e lhe dá um contorno mais unissex, comercial e mais solto. É certamente um risco, já que ambos os perfumes são bem diferentes e a alteração pode desagradar aos fãs fieis do original. Entretanto é um risco calculado, pois a nova composição parece ter apelo suficiente para alcançar novos públicos.

Acho interessante que esse novo aroma ligado ao simpático animal ameaçado de extinção me faça pensar que visualmente tirando as diferenças de peso e altura não é tão fácil distinguir o macho da fêmea dessa espécie. Em termos de fragrância, há esse caráter enigmático em Panda, que parece em alguns pontos apontar para um perfume masculino e em outros apontar para um feminino numa espécie de transição fluída e solta entre gêneros.
Na saída, Panda abre com uma nota brilhante e cítrica mais sutil que seu predecessor, incorporando algum elemento levemente aquático que se destaca imediatamente. É interessante que já seja possível perceber uma certa maciez dos musks e um aroma que remete a avelãs, com a combinação me fazendo pensar numa versão reeincarnada editada do Very Irresistible. Também é possível notar um uso moderado e harmônico de materiais ambarados e secos incorporados a ideia.

Conforme a criação começa a evoluir na pele é que fica claro o gênero fluído de Panda, já que entramos em um território onde toques florais e polvorosos se tornam evidentes e fazem pensar numa mescla de osmanthus menos exótico aliado com toques de iris. Ao mesmo tempo, a base parece apontar para uma espécie de chypre moderno típico da perfumaria feminina contemporânea, apenas menos doce e dividindo espaço com o toque ambarado e amadeirado mais masculino.


Pode não parecer a princípio, mas ao mesmo tempo em que Panda aponta para uma direção mais comercial ele também se arrisca em uma fusão de elementos que não é tão comum. A criação mantém a excelente performance da versão anterior mas leva o aroma em uma direção mais sutil, sem grandes transições desafiadoras. É uma composição elegante e certamente agora se torna uma boa opção para começar a entrar no universo da marca.

English:

When I had the opportunity to get test Zoologist's products in 2015 the brand was still starting to firm into the niche and independent perfumery market. I remember being amazed at the interesting idea of ​​a project that drew inspiration from the animals in collaboration with creative and independent perfumers to get out of the comfort zone that the market was in. It has passed only 2 years but the rapid growth and recognition certainly made the project look like it had been much longer in the market. And with the development of the brand its idealizer, Victor Wong, felt the need to return in his first creations and to adapt them to the present moment that his brand is now.

As interesting as the original version of Panda was its perfume was of a very intense personality and something with a perhaps somewhat limited appeal. Due this it arises this year a new version of Panda, which maintains the zen idea of ​​the original and gives it a more unisex, mainstream and looser aura.It is certainly a risk, since both perfumes are very different and the change may displease the faithful fans of the original. However, it is a calculated risk, since the new composition seems to have enough appeal to reach new audiences.

I find it interesting that this new aroma related to the sympathetic endangered animal makes me think that visually taking away the differences in weight and height it is not so easy to distinguish the male from the female of that species. In terms of fragrance, there is this puzzling character in Panda now, which seems in some points to point to a masculine scent and in others to point to a feminine in a kind of fluid and loose transition between genders.

At the opening, Panda opens with a glowing and citrus note more subtle than its predecessor, incorporating some slightly aquatic element that stands out immediately. It is interesting that it is already possible to perceive a certain softness of the musks and an aroma that refers to hazelnuts, with the combination making me think of an edited re-incarnated version of Very Irresistible Homme. It is also possible to note a moderate and harmonic use of amber and dry materials incorporated into the idea.
As the creation begins to evolve on the skin it is clear the flowing genus of Panda, as we enter a territory where floral and powdery toucheas are evident and make us think of a blend of a less exotic osmanthus less allied with touches of iris. At the same time, the base seems to point to a kind of modern chypre typical of contemporary feminine perfumery, just less sweet and dividing space with the more masculine amber and woody touches.


It may not seem like it at first, but at the same time that Panda points in a more commercial direction it also ventures into a fusion of elements that is not so common. The creation maintains the excellent performance of the previous version but takes the aroma in a more subtle direction without great challenging transitions. It is an elegant composition and certainly now becomes a good option to start entering into the brand universe.

16 de jul de 2017

Natura Essencial Elixir Masculino - Fragrance Review


Uma das coisas que é bem rara na perfumaria comercial de forma geral é quando um casal de perfumes masculino e feminino é lançado ambos serem muito bons. Mais raro ainda é que haja um diálogo entre seus aromas e que eles tenham uma sintonia entre si. Para a minha surpresa, a Natura conseguiu as duas coisas ao lançar a dupla Essencial Elixir. O primeiro a ser lançado foi o feminino, que se mostrou uma criação sofisticada e digna da perfumaria internacional, elevando as expectativas para o masculino. Em vez de decepcionar, tais expectativas foram cumpridas e a versão masculina consegue surpreender positivamente também;

Essencial Elixir Masculino parece ter partido da mesma premissa que o feminino: um perfume mais sofisticado, adulto, com toques de algo mais vintage porém com uma execução firmada na perfumaria contemporânea. Um perfume feito para ser algo mais premium dentro da marca, com qualidade de perfumaria internacional. E para mim é curioso que a marca faça isso justamente com suas edições limitadas, mas talvez isso seja mais uma característica do mercado nacional do que da marca em si.

A fragrância me parece girar em torno de uma interpretação polvorosa e mineral do patchouli que o une ao feminino, porém aqui ancorado em um aroma ambarado mais seco, daqueles que as vezes parecem tabaco e as vezes remetem a couro. Ele não é abusado aqui, de forma que não cria um aroma áspero e muito artificial. Por cima dessa base é construído uma fragrância que curiosamente oscila entre uma interpretação de violeta e iris, algo que as vezes remete ao cheiro adocicado das flores e ao aroma das folhas mas que também possui de fundo um leve quê atalcado e cremoso que me parece proveniente de aromaquímicos de qualidade fazendo o papel da iris. E por cima disso, temos uma saída suculenta, com ares cítricos e de bebida ao mesmo tempo. Essencial Elixir consegue tocar em alguns clichês da perfumaria masculina sem parecer genérico, com uma excelente performance na pele e um aroma coerente do começo ao fim. É um grande acerto da Natura entre os lançamentos desse ano.

Herrera Confidential Collection Mystery Tobacco e Amber Desire - Fragrance Reviews


Português (click for english version):

Uma das coisas que eu já entendi ao longo da minha jornada como colecionador, apaixonado e escritor de resenhas de perfumes é que é necessário entender quando se avalia ou considera um perfume que o mercado de forma geral atua muito mais no nível do conceito, posicionamento e marketing do que no nível do aroma em si. O número de pessoas que compram perfumes é muito mais amplo do que o universo de quem coleciona ou tem um conhecimento mais profundo sobre o tema. E essas pessoas estão dispostas a pagar por algo que venda uma aura de sofisticação e exclusividade.

E é para esse público em principal que coleções de nicho/exclusivas continuam surgindo e até mesmo grifes mais comerciais como Carolina Herrera aderiam a ela. Uma das mais tardias a entrar nesse bonde, a marca lançou em 2015 a coleção Confidential, que mira nas notas clássicas/populares das coleções de nicho para criar luxo, elegância, sofisticação. Em suma: a marca joga nas regras que já foram determinadas pelo mercado.

Amber Desire para mim expõe justamente o problema desse tipo de coleção se você tiver conhecimentos um pouco mais profundos de perfumaria ou se você pensar de maneira 100% racional. É difícil justificar 240 dólares em uma composição como essa, que promete uma reinvenção da temática de ambar e não consegue fazer isso. Amber Desire me faz pensar em uma versão diluída do excelente Ambre Precieux da Maitre Parfumeur et Gantier. É um aroma quente, adocicado, resinoso e com um leve toque de algo apimentado talvez. É uma interpretação de fato de uma nota clássica, mas mais poderosa? Não é e o aroma em si não vende o luxo. Só funciona quando todos os outros elementos são considerados junto.

Já Mystery Tobacco consegue ser bem sucedido aonde Amber Desire falha e vende um aroma mais complexo e interessante de Tabaco com uma performance poderosa que seria esperado da nota. Acho interessante que indiretamente ele faz referência a um dos clássicos da marca, Herrera Man, como se fosse uma versão moderna, noturna e luxuosa desse. Mystery Tobacco consegue combinar o aroma terroso de um patchouli com um aroma defumado e herbal de tabaco e uma nota mais adocicada de tabaco flavorizado com tonka e nuances secundárias de mel. Há um toque floral distante, que aparece mais quando a intensidade do tabaco diminui. É uma criação que consegue seguir pelo caminho que perfumes como Tobaco Vanille Fumerie Turquie abriram sem parecer uma cópia desses. E é um que integra perfeitamente o cheiro ao conceito vendido.

English:

One of the things I have understood throughout my journey as a collector, passionate and writer of perfume reviews is that it is necessary to understand when evaluating or considering a perfume that the market generally acts much more at the level of concept, positioning and marketing than at the level of the aroma itself. The number of people who buy perfumes is much wider than the universe of those who collect or have a deeper knowledge on the subject. And these people are willing to pay for something that sells an aura of sophistication and exclusivity.

And it's to this mainstream audience that niche / exclusive collections keep popping up and even more commercial brands like Carolina Herrera adhere to it. One of the latest additions to this bandwagon, the brand launched in 2015 the Confidential collection, which targets classic / popular niche collections to create luxury, elegance and sophistication. In short: the brand plays in the rules that have already been determined by the market.

Amber Desire for me rightly exposes the problem of this type of collection if you have a slightly deeper knowledge of perfumery or if you think in a 100% rational way. It's hard to justify $ 240 in a composition like this that promises a reinvention of the amber theme and fails to do so. Amber Desire makes me think of a diluted version of the excellent Ambre Precieux of Maitre Parfumeur et Gantier. It is a warm, sweet, resinous aroma with a slight hint of something spicy perhaps. Is it a de facto interpretation of a classic but more powerful note? It is not and the aroma itself does not sell the luxury. Only works when all other elements are considered together.

Mystery Tobacco succeeds in succeeding where Amber Desire fails and sells a more complex and interesting Tobacco concept with a powerful performance that would be expected from the note. I find it interesting that it indirectly refers to one of the classics of the brand, Herrera Man, as if it were a modern, nocturnal and luxurious version of it. Mystery Tobacco manages to combine the earthy scent of a patchouli with a smoky, herbal tobacco flavor and a more sweet note of tobacco flavored with tonka and secondary nuances of honey. There is a distant floral touch, which appears more when the intensity of the tobacco decreases. It is a creation that can follow the way that perfumes like Tobacco Vanille Fumerie Turquie opened without looking like a copy of these. And it is one that perfectly integrates the smell to the concept sold.

11 de jul de 2017

Prada Olfactories Pink Flamingos - Fragrance Review


Português (click for english version):

A Prada esteve entre a primeira leva de marcas designer a criar uma coleção de perfumes de nicho e eu diria que foi uma das marcas que levou essa ideia praticamente ao extremo da palavra. Os componentes da coleção original eram extratos em frascos com aura apotecária e difíceis de achar até mesmo nas lojas da marca, praticamente um segredo. Com a ascensão monetária da perfumaria de nicho a marca viu que era hora de fazer um reboot na sua linha exclusiva e criar um conceito mais cool, com referências a cultura pop nos nomes e imagens abstratas e surrealistas nas divulgações.

Em Pink Flamingos, a ideia surrealista e abstrata é transposta para o conceito também: estamos diante de um perfume que faz alusão a bolhas rosas flutuando no coração de tókio, a união do natural e o sintético e o aroma de flores de fluorescentes rosa, estilizadas e inocentes. É uma mistura meio incoerente de ideias e que se relaciona com o perfume pela tonalidade rosa de seu aroma e a delicadeza de seu cheiro, que tem tudo a ver com a leveza de uma bolha e o estilo mais discreto de perfume do mercado asiático.

Em relação ao perfume em si, vejo em Pink Flamingos uma reconcepção de uma das criações da linha de nicho original da marca. Pink Flamingos é uma versão mais aerea e menos clássica do aroma de batom e maquiagem de Prada No 14 Rossetto. O aroma ceroso das rosas foi suavizado para uma tonalidade rosa bebê e a iris confere apenas um pano de fundo sedoso e musky a ideia. A saída deixa de lembrar lipstick e passa a ter ares de uma cologne floral com tons frutados silvestres, algo parecido com o que a Dior fez no descontinuado Milly La Foret de sua coleção exclusiva. Talvez para o público em geral a ideia soe refinada o suficiente para vender um perfume exclusivo, mas para mim falta um pouco de intensidade e mais riqueza nas nuances. Pink Flamingos é um excelente floral rosa delicado, apenas não é memorável o suficiente para justificar a compra de um frasco no preço de mercado.

English:

Prada was between the first batch of designer brands to create a collection of niche perfumes and I would say it was one of the brands that took that idea to the extreme of the word. The members of the original collection were parfums in bottles with an apothecary aura and difficult to find even in the brand stores, practically a secret. With the monetary rise of niche perfumery the brand saw that it was time to make a reboot in its exclusive line and create a cooler concept with pop culture references in its names and abstract and surrealistic references in its images.

In Pink Flamingos, the surrealist and abstract idea is transposed to the concept as well: we are faced with a perfume that alludes to pink bubbles floating in the heart of Tokyo, the union of the natural and the synthetic and the scent of stylized and innocent pink fluorescent blossoms. It is a somewhat incoherent mixture of ideas and relates to the perfume by the pink tonality of its aroma and the delicacy of its smell, which has everything to do with the lightness of a bubble and the more discreet style of perfume of the Asian market.

Regarding the perfume itself, I see in Pink Flamingos a reconception of one of the creations of the brand's original niche line. Pink Flamingos is a more airy and less classic version of the lipstick and makeup scent of Prada No 14 Rossetto. The waxy aroma of the roses has been softened to a baby pink tint and the iris confers only a silky and musky backdrop to the idea. The opening no longer resembles a lipstick and has the airs of a floral cologne with wild fruity tones, something similar to what Dior did in the discontinued Milly La Foret from its exclusive collection. Maybe for the general public the idea sounds refined enough to sell an exclusive perfume, but for me it lacks a bit of intensity and more richness in the nuances. Pink Flamingos is an excellent delicate pink floral, just not memorable enough to warrant buying a bottle at the retail price.

Guerlain La Petite Robe Noire Black Perfecto - Fragrance Review


Português (click for english version):

Talvez nem todos saibam, mas o nascimento do grande sucesso de vendas da perfumaria feminina da Guerlain começou como uma criação exclusiva em 2009, chamado de La Petite Robe Noire Modele 1. Ao que parece, os planos iniciais da marca eram o de fazer uma coleção exclusiva ao redor dessa ideia, tanto que em 2011 foi lançado um segundo perfume na linha, com o mesmo nome e chamado de Modele 2. Um ano depois, porém, a marca teve uma decisão acertada de transformá-lo em uma criação comercial e que certamente foi o início de uma nova fase de maior apelo popular na perfumaria para a Guerlain.

O que muitos não sabem, porém, é que o La Petite Robe Noire lançado em 2012 não é exatamente igual ao criado em 2009, pondo mais ênfase no aspecto chypre moderno formado pelo patchouli adocicado e musks da base, tirando parte da aura suculenta das cerejas que tornava o original tão atraente. É difícil saber o motivo, talvez tenha sido uma questão contratual com o laboratório de Grasse que produzia o original ou talvez um estudo que apontasse maiores chances de sucesso com um aroma mais potente e doce.

Para os fãs da primeira versão e para os que não são tão fãs do aroma chypre frutado do La Petite Robe Noire surge em 2017 mais um flanker da saga, denominado de La Petite Robe Noire Black Perfecto. É possível perceber que a intenção da marca é dar a esse lançamento uma aura mais descolada, um ar mais roqueiro que tenta ressaltar isso pela ênfase na nota de couro em combinação com o aroma de rosas e de cerejas. Na prática, porém, temos um retorno a algo bem próximo a versão original de 2009.


Black Perfecto desloca o eixo do aroma chypre adocicado para uma interpretação mais centrada no aroma das amêndoas e das cerejas. Aquela impressão suculenta de torta de cereja e amêndoas volta a ser o grande destaque aqui, algo que agrada pelo contraste entre o adocicado e açúcarado e o meio amargo frutado, uma fina harmonia. A saturação de rosas divulgada pela marca não chega a dar uma aura mais madura ou senhoril a composição, e se o aroma das rosas foi de fato trabalhado no perfume é algo mais delicado, enfatizando um pouco as nuances mais verdes da flor. O couro não chega a se destacar e não é motivo para ressalvas, o aroma da base é como a versão de 2009, mais delicado, algo meio musky amadeirado com uma doçura reduzida e um leve quê de camurça talvez. O nome Eau Florale no fim das contas faz mais sentido que a ideia de uma versão Black da franquia. Esse é um perfume mais rebelde na sua imagem do que na sua entrega, mas que não chega a incomodar nesse quesito devido ao excelente aroma que nos é oferecido.

English:

Perhaps not everyone knows, but the birth of the great sales success of Guerlain's feminine perfume began as an exclusive creation in 2009, called La Petite Robe Noire Model 1. It seems that the initial plans of the brand were to make an exclusive collection into this idea, so much so that in 2011 a second perfume was launched in the line, with the same name and called Model 2. A year later, however, the brand had a right decision to turn it into a commercial creation and that certainly was the beginning of a new phase more commercial and popular in the mainstream perfumery for the Guerlain.

What many do not know, however, is that the La Petite Robe Noire released in 2012 is not exactly equal to the one created in 2009, putting more emphasis on the modern chypre aspect made up of the sweet patchouli and musks of the base, taking away part of the juicy cherry aura which made the original so appealing. It's hard to know why, maybe it was a contractual issue with the grasse's lab that produced the original, or perhaps a study that would point to greater chances of success with a more potent, sweet aroma.

For the fans of the first version and for those who are not so fonf of the fruity chypre scent of La Petite Robe Noire appears in 2017 another flanker of the saga, called La Petite Robe Noire Black Perfecto. It is possible to realize that the intention of the brand is to give this release a cool aura, a more rocky air that tries to emphasize it by the use of the leather note in combination with the aroma of roses and cherries. In practice, however, we have a return to something very close to the original version of 2009.

Black Perfecto shifts the axis of the chypre sweetened aroma to a more centered interpretation of the aroma of almonds and cherries. That juicy impression of cherry pie and almonds is once again the great highlight here, something that pleases with the contrast between sweet and sugary and the bitter fruity, a fine harmony. The saturation of roses disclosed by the brand does not even give a more mature aura to the composition, and if the aroma of roses was actually worked on the perfume is something more delicate, emphasizing a bit of the greener nuances of the flower. The leather does not stand out and is no reason to worry, the aroma of the base is like the 2009 version, more delicate, somewhat musky woody with a reduced sweetness and a light hint of suede perhaps. The name Eau Florale ultimately makes more sense than the idea of ​​a Black version of the franchise. This is a more rebellious perfume in its image than in its delivery, but that does not come to bother in this respect due to the excellent aroma that is offered to us.

8 de jul de 2017

Etat Libret D'Orange You Or Someone Like You - Fragrance Review


Português (click for english version):

Para meu espírito analítico é sempre um desafio tentar entender um perfume quando não se conhece adequadamente seu background;corre-se o risco de não ser capaz de captar e entender as referências que o aroma deseja transportar. Entretanto, um perfume redondo é que nem uma obra de arte de fato, capaz de ser apreciado e entendido sem que se conheça as referências.

Sem conhecer Los Angeles ou o livro escrito por Chandlerr Burr e que inspira a composição You Or Someone Like You faz sentido para mim dentro do contexto do que é criado. A marca divulga que esta é uma composição que não é estranha ou desconcertante, algo pela qual a ELdO ficou famosa. E que estamos diante de uma composição contemporânea, construída com materiais atemporais. É um perfume que reflete a protagonista Anne mas que poderia ser usado por milhares de outras mulheres. E diria eu, homens também, já que seu aroma me parece fácil de transpor as barreiras da divisão entre masculino e feminino.

Sem conhecer as notas, eu diria que You Or Someone Like You é um perfume de contrastes, algo que me faz pensar em uma primeira impressão, algo mais agressivo e mais desafiador ao estilo da marca. Seria provavelmente o aspecto intimidador de uma cidade urbana a primeira vista. Outro contraste que eu penso quando o sinto é entre o que pode ser encarado como artificial versus natural. O aroma parece mirar em algo que remete a uma paisagem verde e natural, mas ao mesmo tempo há algo em suas primeiras nuances que apontam para uma natureza concebida e planejada pelo homem no meio de uma selva de pedra.

You or Someone Like you abre com um aroma refrescante e brilhante, uma tonalidade mentolada intensa e ensolarada envolta no que me parecem acetatos simulando o aroma de vegetação ao mesmo tempo que contribuíam com uma nuance levemente plástica e envernizada. Conforme a composição caminha, toques florais distintos se misturam a um corpo floral levemente verde, brilhante e aconchegante, algo que remete de fato a rosas que Anne planta em seu jardim ao mesmo tempo que poderiam ser quaisquer outras flores. É interessante como o aspecto mentolado acompanha e se integra sem problemas ao corpo floral luminoso. Este conduz para um base aconchegante, algo que parece me dizer que nossa protagonista pode ter se sentido a princípio intimidada pela cidade mas que agora encontrou paz e seu lugar dentro dela. É um aroma de cremoso de musks com leves toques de resinas e madeiras e que completa bem a sensação contemporânea e mais universal que o conceito se propõe, um conceito que de fato não precisa da divulgação dos materiais ou até mesmo do entendimento completo de sua história para ser apreciado.

English:
For my analytical spirit it is always a challenge trying to understand a perfume when its background is not well known, there is a risk of not being able to grasp and understand the references that the aroma wishes to carry. However, a round perfume is like a work of art, capable of being appreciated and understood without the references being known.

Without knowing Los Angeles or the book written by Chandlerr Burr that inspired the composition You Or Someone Like You makes sense to me within the context of what is created. The brand discloses that this is a composition that is not strange or disconcerting, something for which the ELdO became famous.Instead we are appreciating a contemporary composition, built with timeless materials. It is a perfume that reflects the protagonist Anne but that could be used by thousands of other women. And I would say, men too, since its aroma seems easy to me to cross the barriers of the division between masculine and feminine.

Without knowing the notes, I would say You Or Someone Like You is a perfume of contrasts, something that makes me think of a first impression, something more aggressive and more challengine, close to the style of the brand. It would probably be the intimidating aspect of an urban city at first sight. Another contrast I think of when I feel it is between what can be regarded as artificial versus natural. The aroma seems to aim at something that refers to a green and natural landscape, but at the same time there is something in its first nuances that point to a nature conceived and planned by the man in the middle of a stone jungle.


You or Someone Like you opens with a refreshing and brilliant aroma, an intense and sunny minty aura enveloped in what seems to me acetates simulating the scent of vegetation while contributing with a lightly plastic and varnished nuance. As the composition progresses, distinct floral touches mingle with a green, bright and warm floral body, something that actually refers to the roses that Anne plants in her garden at the same time as they could be any other flowers. It is interesting how the mint aspect accompanies and seamlessly integrates with the luminous floral body. This leads to a cozy base, something that seems to tell me that our protagonist may have felt at first intimidated by the city but that now has found peace and its place within it. It is a creamy aroma of musks with slight touches of resins and woods and that completes well the contemporary and more universal sensation that the concept proposes, one that in fact does not need the divulgation of the materials or even the complete understanding of its history to be appreciated.

Thierry Mugler Aura - Fragrance Review


Português (click for english version):

Aparentemente 2017 é o ano de estabelecer novos pilares para algumas marcas. Além da Chanel temos Thierry Mugler indo além dos flanker e reconcepções do Angel para começar um novo capítulo em seu universo, um que chega 7 anos depois o lançamento do controverso ame/odeie Womanity. Da mesma forma que a Chanel, Mugler também é bem consciente de sua estética e Aura se encaixa no universo extravagante e de outro mundo da marca. Ao mesmo tempo, entretanto, para mim essa é a primeira vez que Mugler opera com um perfume que atua em dois níveis distintos, um no do aroma em si e outro no da imagem que é vendida.
Em primeiro lugar, Aura também é um ode a mulher da mesma forma que Angel, Alien e Womanity foram. Mas dessa vez, conceitualmente me parece que Mugler aqui dessa vez deseja fazer uma conexão extraterrestre entre a mulher e a natureza. É um tema menos controverso certamente, mas num mundo tão radicalizado e controverso como o atual talvez a aposta da Marca tenha sido conectar em vez de chocar. Conectar com a natureza e por isso da exploração da proposta verde no perfume.
Porém, se o conceito e imagem propostas nos levam a esperar um perfume de fato verde, a realidade é que o histórico nos mostra que comercialmente é muito difícil vender perfumes que realmente invistam em notas verdes. Por isso, Aura está mais para a flor exótica que exala seu odor e domina a floresta do que o aroma verde da floresta em si. E ao mesmo tempo que seu aroma é intrigante, ele é bem familiar, possuindo diversas nuances ao mesmo tempo que você pensa que sua forma não se encaixa em nenhuma das referências na memória.
A princípio Aura me remeteu a um outro perfume ousado e impactante, o clássico moderno Insolence da Guerlain. Usando com mais cuidado, porém, há nuances em Aura que passam por cima dessa referência. O perfume abre a princípio com um aroma cítrico bem suculento, acompanhado por um aroma amendoado e medicinal. Ele conduz a um corpo floral que é exuberante sem ser chocante, um que tem contornos de flor de laranjeira, nuances verdes de tuberosa e algo do aroma powdery e açúcarado das violetas do insolence. Conforme evolui para a base, Aura se torna mais familiar, com nuances de baunilha, musks e um quê ambarado e amadeirado.
Eu diria que a escolha do nome foi bem inteligente, pois de fato esse é um perfume que funciona como uma Aura, só que diferente de Gabrielle o interesse dele é transpor essa aura do familiar para o universo de fantasia de Thierry Mugler. É um perfume mais marcante mas não é desafiador em termos de aroma é uma formula com bastante espaço para a marca trabalhar com sucessos seus inúmeros flankers nos próximos anos.

English:
Apparently 2017 is the year to establish new pillars for some brands. In addition to Chanel we have Thierry Mugler going beyond flankers and Angel's reconceptions to start a new chapter in his universe, one that comes 7 years after the release of the controversial love/hate Womanity. In the same way that Chanel, Mugler is also well aware of its aesthetic and Aura fits into the extravagant and out-of-the-world universe of the brand. At the same time, however, for me this is the first time that Mugler works with a perfume that operates on two distinct levels, one in the aroma itself and the other in the image that is sold.
First, Aura is also an ode to the woman in the same way that Angel, Alien and Womanity were. But this time, conceptually it seems to me that Mugler wants to make an extraterrestrial connection between woman and nature. It's a less controversial subject indeed, but in a world as radicalized and controversial as the current one perhaps the brand's bet has been to connect rather than collide. Connect with nature and thus the exploration of the green proposal in perfume.
However, if the proposed concept and image lead us to expect a perfume of green aroma in fact, the reality is that history shows us that it is very difficult to sell perfumes that really invest in green notes. Therefore, Aura is more to the exotic flower that exudes its odor and dominates the forest than the green scent of the forest itself. And while its aroma is intriguing, it is very familiar, possessing several nuances while you think that its shape does not fit into any of the references in memory.
At first Aura referred me to another bold and striking perfume, Guerlain's classic Insolence. Wearing it and paying attention more carefully, however, there are nuances in Aura that go over that reference. The perfume opens at first with a very juicy citrus aroma, accompanied by an almond and medicinal aroma. It leads to a floral body that is lush without being shocking, one that has orange blossom outlines, tuberose green nuances and some of the powdery and sugared aroma of insolence violets. As it evolves into the base, Aura becomes more familiar, with nuances of vanilla, musks, and an amber and woody impression.
I would say that the choice of name was very clever, because in fact this is a perfume that works like an Aura, but unlike Gabrielle its interest is to transpose this aura from the familiar to the fantasy universe of Thierry Mugler. It is a striking scent but is not challenging in terms of aroma and it is a formula with plenty of room for the brand to work with its countless successful flankers in the coming years.