Pesquisar este blog

2 de mai de 2017

L'Acqua di Fiori Urban Code e Urban Code Neo - Avaliações


De forma geral eu vejo que o portfólio masculino de perfumaria da L'acqua di Fiori é muito mais próximo ao que vemos na perfumaria clássica, um misto de composições mais fougeres e amadeiradas, ao estilo dos anos 80, e de composições mais frescas e quase esportivas, algo mais predominante nos anos 90 em diante. Urban Code e seu flanker Urban Code Neo são dois integrantes da coleção da L'Acqua que quebram essa predominância e trazem a marca para uma tendência muito mais próxima do que vemos atualmente na perfumaria.

Apesar de ter sido feito em 2007 Urban Code continua sendo um perfume que poderia ter sido lançado nesse ano visto que composições orientais especiadas andam em alta. De certa forma, ele é um oriental especiado light, algo original em sua evolução olfativa mas que parece se moldar entre o aroma de um Armani Code e de um Mont Blanc Presence. Seu aroma faz um contraste entre especiarias quentes e especiarias frescas colocando uma canela quente e com toques frutados contra a refrescância picante, mentolada e levemente cítrica do gengibre e cardamomo. A coumarina atua de forma secundária, reforçando o lado mais oriental da composição com uma doçura calculada que se mistura ao aroma de ambar, musk e sândalo. É interessante como Urban Code consegue ser quente e presente e ao mesmo tempo quase sem peso em seu aroma. Um tipo de presença que pode enganar e parecer que não projeta mas que exala forte em um ambiente quente.

A versão Neo de Urban Code vai pelo caminho especiado porém prevalece mais o aspecto fresco das especiarias e uma troca do contexto oriental para um caminho mais amadeirado e aromático. Neo também parece bem contemporâneo com o uso de sintéticos que emulam o cheiro de madeiras secas e sugerem ao mesmo tempo um aroma esfumaçado de tabaco. Esse lado é usado de forma mais moderada, conferindo fixação para a fragrância e sustentando o aspecto mais aromático de um corpo que quase chega a remeter a lavanda e gerânio, emulando por alguns momentos um lado mais fougere, uma espécie de releitura desse lado clássico da perfumaria masculina. O uso proeminente da pimenta rosa e da noz moscada é que torna Urban Code Neo bem contemporâneo, dando um aspecto picante, levemente doce e bem fresco a saída da composição. Assim como seu irmão, Urban Code Neo tem uma boa presença e duração, levando-se em conta que ambos tenham sido aplicados de acordo com as características individuais de cada um (no meu caso, como com vários perfumes, ambos funcionam bem se borrifados de forma generosa).

26 de abr de 2017

Masque Milano Romanza And L'Attesa - Fragrance Reviews


It has been quite often that niche or niche-like brands try to emphasize the richness and luxury of the materials that goes into their compositions, something that wants to put back the emphasis on the scent itself. However, it takes more than good materials to make a good fragrance, you certainly need a good concept and a good perfumer that really captures what is precious and special with that costly or rare absolute. The process is like shaping a raw precious stone into a perfect one and something much like what Masque Milano has done in their two latest fragrance inclusions into their third act.

In L'Attesa Luca Maffei is the goldsmith responsible for one of the costliest materials available to the perfumer, orris absolute. Using it is not an easy task due to the gray, almost funeral aspect of the earthy and cold nuances lying underneath the buttery,  woody and creamy nuances of orris. Luca finds a balance where orris is able to shine without feeling sad. It's aroma smells refined, being able to highlight the vegetal earthy tone of orris in combination to a silky green floral aroma. This is supported by a base that at first smells like vetiver and then slowly reveals its sandalwood and suedish-like leather nuances. It is an amazing scent able to capture the best parts of orris.

Just like Luca, Cristiano Canali receives the blessing and the hard task of working with Narcissus Absolute in Romanza and the perfumer is able to create one of the best works with this flower so far. It's rare that narcissus fragrances captures all sides of this flower: the green aroma, the jasmine like nuances, the indolic aspect, the resinous final phase. Cristiano is able to emphasize all of them in Romanza without making it sound as if he has just diluted Narcissus or created an flat acccord. Romanza smells lush in its green floral bitterness that seems to have a velvet texture. It's one of those fragrances that captures a feeling from its notes and one that it is hard to break into its notes and doing something that smells quite abstract and quite focused at the same time is worthy of a masterpiece. If it was a stone, Romanza would certainly be a perfect and gorgeous Emerald.

25 de abr de 2017

L'Acqua di Fiori Ladro e Vet 312 - Avaliações


Utilizar perfumes como Ladro e Vet 312 um após o outro é como entrar numa espécie de máquina do tempo que retrata não somente o cenário da perfumaria nacional mas a história da L'Acqua di Fiori na perfumaria do Brasil. Meu relacionamento pessoal com os perfumes da L'Acqua me fazem ver como uma empresa é capaz de capturar tão bem ideias clássicas da perfumaria internacional sem que elas pareçam inferiores ou de forma que a inspiração se torne irrelevante diante do que se recebe.

Ladro é como uma representação da perfumaria masculina da década de 90, pautada principalmente na transformação do gênero fougére dentro das novas moléculas sintéticas que lhe garantiriam a leveza e duração que inaugurariam o que hoje chamamos na perfumaria como novo frescor. Ele é também uma representação de um momento de apogeu da marca, uma época onde a L'Acqua era vista como uma marca de prestígio e seletiva dentro da perfumaria comercial nacional.

 Ladro é a interpretação da L'Acqua para a ideia presente no Cool Water e suas pequenas mudanças funcionam muito bem. O enfoque é dado mais na parte fougére aromática do que no aspecto azedinho, metálico e clean das moléculas aquáticas e do dihidromircenol. Ao mesmo tempo, leves toques frutados e verdes reforçam o frescor e a leveza enquanto um fundo de musk, madeiras leves e um toque levemente ambarado segura bem a composição na pele. Talvez pelo revival recente dos fougeres e pelo uso mais moderado do novo frescor Ladro ainda soe tão contemporâneo quanto em sua década de lançamento.

Avançando para o presente momento, Vet 312 é uma aposta da L'Acqua justamente para recuperar seu espaço de prestígio e refinamento dentro da perfumaria nacional. Não que a qualidade atual dos perfumes da marca sejam ruins, mas uma má administração em anos anteriores quase a fez sumir de vez e por vários anos ela focou mais em sua sobrevivência e reconstrução do que no lançamento de novos perfumes. E aos poucos ela tem retomado o ritmo normal e um dos primeiros indícios é o lançamento de Vet 312.

Apesar do nome intrigante para um perfume nacional, quase como um codinome de uma das versões do projeto, Vet 312 é um bom representante de como o frescor da perfumaria masculina evoluiu para um contexto mais amadeirado e onde o vetiver tem sido protagonista. A marca mesmo enfatiza em toda a sua comunicação e nos detalhes do produto que o objetivo era criar um perfume com enfoque na raiz e em seu aroma complexo que vai do úmido ao amadeirado. A forma como eles fazem isso é interessante, algo entre a aura clássica e aromática de um Vetiver Carven e um aroma cítrico mais clean de um Tom Ford Grey Vetiver. Tais perfumes servem apenas como referência, pois Vet 312 trilha seu próprio caminho, pondo bastante ênfase na lavanda e em musks para fazer uma ponte entre um público mais heterogêneo e um aroma mais específico. No final das contas, funciona muito bem e serve como um Vetiver introdutório para quem não possui muita intimidade com tal nota. Um bom recomeço de lançamento para a marca.

17 de abr de 2017

Guerlain Muguet 2017, Oud Essentiel e L'Homme Ideal Sport - Fragrance Reviews


From the most classic French brands Guerlain has been the one that year after year has been running like a steady machine, operating in the different price and concept levels of expected luxury. You can certainly say that the brand is very far from its past lately (and it certainly is, for my sadness sometimes), but you cannot say that they have stopped on time. And for more that some of their choices might be questionable, as you'll see on my analysis bellow, the scents still show a good consistency and enjoyable developments on skin. Certainly many of them if launched by other brands would be better appreciated, but we are passionated from Guerlain (well, i certainly am) and expect the best if possible, so the demand level is very high.

Starting from the most collectible and expensive launch of this year we have the traditional Muguet, a fragrance that the brand has been exclusively launching every May 1st to celebrate the worker's day. Its price certainly reflect the very limited cirulation, but this year the brand opted for a quite questionable presentation: even that beautiful, the very minimalist bottle resembles the design they opted for their bath and body line and for their line of room's spray. I think that the choice was to match the interpretation given to the Muguet theme here. It's not so far from previous 2013 version i had the chance to own but it seems a more straightfoward incarnation of it. It gives us a muguet accord that sounds slightly waxy, citrus and fresh, with a flower aroma that strongly reminds you of a green jasmine. The base seems to rely on a soft sandalwood aroma with subtle incense/resin hints. I'm not fond of Muguets but this one i could see myself wearing it - if i could find it for a more suitable price (a 125ml bottle costs 430 euros).

Still on the luxury side of the brand but navigating in more affordable waters we have a new addition to the Absolu d'Orient series, one that seems to offer a quite reasonable price per ml on the arab thematic. Oud Essentiel is not that far from the previous scents Santal Royal and Ambre Eternel, but it's not exactly a surprise since this has been the approach for scents with an Arab Thematic. Even that not novel. Oud Essentiel is very well balanced: it seems to put more emphasis on a velvet slightly crude leather, which acts in the background for the sweet fruity spicy theme of oud, rose and saffron. As expected, the projection is great and the sillage is very good, but it's something kind of given with oud scents. I say that Oud Essential is not a fragrance that will make you love or hate Oud, but it's something you can appreciate if you already don't have enough in this aisle.

Finally, we have a curious mainstream creation with L'Homme Ideal Sport. This one seems tailor made for the global expansion plans that the Brand started to unfold this year. Sport scents still sell well with the masculine public and it's an easy path for Guerlain to become more known. So the choice of adding a sport fragrance with an acquatic is not hard to understand. Still, i remember that when i first tred L'Homme Ideal Sport, i hated it a lot. The acquatic note seemed strong, unpleasant and very like all the rest. But, as a curveball, trying L'Homme Ideal Sport again was a kind of a surprise, one hard to define exactly. The "sportish" thing is still there, but very light. In its place there is a curious choice of a fragrance which seems to oscilate between masculine and feminine. It smells a little bit floral and nutty a first, almost like a sport version of la petite robe noire. But then the almond merges with the coumarin and the more fougere part of the fragrance takes stage, producing a subdued but refined merge of herbs, woods, musks, hints of spices and green-coumarinic nuances. It's an odd orchestration, which is a good surprise for a Sport thing. But it certainly one that I personally wouldn't use on very hot days to avoid the distortion of the acquatic part.