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11 de jul de 2017

Guerlain La Petite Robe Noire Black Perfecto - Fragrance Review


Português (click for english version):

Talvez nem todos saibam, mas o nascimento do grande sucesso de vendas da perfumaria feminina da Guerlain começou como uma criação exclusiva em 2009, chamado de La Petite Robe Noire Modele 1. Ao que parece, os planos iniciais da marca eram o de fazer uma coleção exclusiva ao redor dessa ideia, tanto que em 2011 foi lançado um segundo perfume na linha, com o mesmo nome e chamado de Modele 2. Um ano depois, porém, a marca teve uma decisão acertada de transformá-lo em uma criação comercial e que certamente foi o início de uma nova fase de maior apelo popular na perfumaria para a Guerlain.

O que muitos não sabem, porém, é que o La Petite Robe Noire lançado em 2012 não é exatamente igual ao criado em 2009, pondo mais ênfase no aspecto chypre moderno formado pelo patchouli adocicado e musks da base, tirando parte da aura suculenta das cerejas que tornava o original tão atraente. É difícil saber o motivo, talvez tenha sido uma questão contratual com o laboratório de Grasse que produzia o original ou talvez um estudo que apontasse maiores chances de sucesso com um aroma mais potente e doce.

Para os fãs da primeira versão e para os que não são tão fãs do aroma chypre frutado do La Petite Robe Noire surge em 2017 mais um flanker da saga, denominado de La Petite Robe Noire Black Perfecto. É possível perceber que a intenção da marca é dar a esse lançamento uma aura mais descolada, um ar mais roqueiro que tenta ressaltar isso pela ênfase na nota de couro em combinação com o aroma de rosas e de cerejas. Na prática, porém, temos um retorno a algo bem próximo a versão original de 2009.


Black Perfecto desloca o eixo do aroma chypre adocicado para uma interpretação mais centrada no aroma das amêndoas e das cerejas. Aquela impressão suculenta de torta de cereja e amêndoas volta a ser o grande destaque aqui, algo que agrada pelo contraste entre o adocicado e açúcarado e o meio amargo frutado, uma fina harmonia. A saturação de rosas divulgada pela marca não chega a dar uma aura mais madura ou senhoril a composição, e se o aroma das rosas foi de fato trabalhado no perfume é algo mais delicado, enfatizando um pouco as nuances mais verdes da flor. O couro não chega a se destacar e não é motivo para ressalvas, o aroma da base é como a versão de 2009, mais delicado, algo meio musky amadeirado com uma doçura reduzida e um leve quê de camurça talvez. O nome Eau Florale no fim das contas faz mais sentido que a ideia de uma versão Black da franquia. Esse é um perfume mais rebelde na sua imagem do que na sua entrega, mas que não chega a incomodar nesse quesito devido ao excelente aroma que nos é oferecido.

English:

Perhaps not everyone knows, but the birth of the great sales success of Guerlain's feminine perfume began as an exclusive creation in 2009, called La Petite Robe Noire Model 1. It seems that the initial plans of the brand were to make an exclusive collection into this idea, so much so that in 2011 a second perfume was launched in the line, with the same name and called Model 2. A year later, however, the brand had a right decision to turn it into a commercial creation and that certainly was the beginning of a new phase more commercial and popular in the mainstream perfumery for the Guerlain.

What many do not know, however, is that the La Petite Robe Noire released in 2012 is not exactly equal to the one created in 2009, putting more emphasis on the modern chypre aspect made up of the sweet patchouli and musks of the base, taking away part of the juicy cherry aura which made the original so appealing. It's hard to know why, maybe it was a contractual issue with the grasse's lab that produced the original, or perhaps a study that would point to greater chances of success with a more potent, sweet aroma.

For the fans of the first version and for those who are not so fonf of the fruity chypre scent of La Petite Robe Noire appears in 2017 another flanker of the saga, called La Petite Robe Noire Black Perfecto. It is possible to realize that the intention of the brand is to give this release a cool aura, a more rocky air that tries to emphasize it by the use of the leather note in combination with the aroma of roses and cherries. In practice, however, we have a return to something very close to the original version of 2009.

Black Perfecto shifts the axis of the chypre sweetened aroma to a more centered interpretation of the aroma of almonds and cherries. That juicy impression of cherry pie and almonds is once again the great highlight here, something that pleases with the contrast between sweet and sugary and the bitter fruity, a fine harmony. The saturation of roses disclosed by the brand does not even give a more mature aura to the composition, and if the aroma of roses was actually worked on the perfume is something more delicate, emphasizing a bit of the greener nuances of the flower. The leather does not stand out and is no reason to worry, the aroma of the base is like the 2009 version, more delicate, somewhat musky woody with a reduced sweetness and a light hint of suede perhaps. The name Eau Florale ultimately makes more sense than the idea of ​​a Black version of the franchise. This is a more rebellious perfume in its image than in its delivery, but that does not come to bother in this respect due to the excellent aroma that is offered to us.