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8 de jul de 2017

Thierry Mugler Aura - Fragrance Review


Português (click for english version):

Aparentemente 2017 é o ano de estabelecer novos pilares para algumas marcas. Além da Chanel temos Thierry Mugler indo além dos flanker e reconcepções do Angel para começar um novo capítulo em seu universo, um que chega 7 anos depois o lançamento do controverso ame/odeie Womanity. Da mesma forma que a Chanel, Mugler também é bem consciente de sua estética e Aura se encaixa no universo extravagante e de outro mundo da marca. Ao mesmo tempo, entretanto, para mim essa é a primeira vez que Mugler opera com um perfume que atua em dois níveis distintos, um no do aroma em si e outro no da imagem que é vendida.
Em primeiro lugar, Aura também é um ode a mulher da mesma forma que Angel, Alien e Womanity foram. Mas dessa vez, conceitualmente me parece que Mugler aqui dessa vez deseja fazer uma conexão extraterrestre entre a mulher e a natureza. É um tema menos controverso certamente, mas num mundo tão radicalizado e controverso como o atual talvez a aposta da Marca tenha sido conectar em vez de chocar. Conectar com a natureza e por isso da exploração da proposta verde no perfume.
Porém, se o conceito e imagem propostas nos levam a esperar um perfume de fato verde, a realidade é que o histórico nos mostra que comercialmente é muito difícil vender perfumes que realmente invistam em notas verdes. Por isso, Aura está mais para a flor exótica que exala seu odor e domina a floresta do que o aroma verde da floresta em si. E ao mesmo tempo que seu aroma é intrigante, ele é bem familiar, possuindo diversas nuances ao mesmo tempo que você pensa que sua forma não se encaixa em nenhuma das referências na memória.
A princípio Aura me remeteu a um outro perfume ousado e impactante, o clássico moderno Insolence da Guerlain. Usando com mais cuidado, porém, há nuances em Aura que passam por cima dessa referência. O perfume abre a princípio com um aroma cítrico bem suculento, acompanhado por um aroma amendoado e medicinal. Ele conduz a um corpo floral que é exuberante sem ser chocante, um que tem contornos de flor de laranjeira, nuances verdes de tuberosa e algo do aroma powdery e açúcarado das violetas do insolence. Conforme evolui para a base, Aura se torna mais familiar, com nuances de baunilha, musks e um quê ambarado e amadeirado.
Eu diria que a escolha do nome foi bem inteligente, pois de fato esse é um perfume que funciona como uma Aura, só que diferente de Gabrielle o interesse dele é transpor essa aura do familiar para o universo de fantasia de Thierry Mugler. É um perfume mais marcante mas não é desafiador em termos de aroma é uma formula com bastante espaço para a marca trabalhar com sucessos seus inúmeros flankers nos próximos anos.

English:
Apparently 2017 is the year to establish new pillars for some brands. In addition to Chanel we have Thierry Mugler going beyond flankers and Angel's reconceptions to start a new chapter in his universe, one that comes 7 years after the release of the controversial love/hate Womanity. In the same way that Chanel, Mugler is also well aware of its aesthetic and Aura fits into the extravagant and out-of-the-world universe of the brand. At the same time, however, for me this is the first time that Mugler works with a perfume that operates on two distinct levels, one in the aroma itself and the other in the image that is sold.
First, Aura is also an ode to the woman in the same way that Angel, Alien and Womanity were. But this time, conceptually it seems to me that Mugler wants to make an extraterrestrial connection between woman and nature. It's a less controversial subject indeed, but in a world as radicalized and controversial as the current one perhaps the brand's bet has been to connect rather than collide. Connect with nature and thus the exploration of the green proposal in perfume.
However, if the proposed concept and image lead us to expect a perfume of green aroma in fact, the reality is that history shows us that it is very difficult to sell perfumes that really invest in green notes. Therefore, Aura is more to the exotic flower that exudes its odor and dominates the forest than the green scent of the forest itself. And while its aroma is intriguing, it is very familiar, possessing several nuances while you think that its shape does not fit into any of the references in memory.
At first Aura referred me to another bold and striking perfume, Guerlain's classic Insolence. Wearing it and paying attention more carefully, however, there are nuances in Aura that go over that reference. The perfume opens at first with a very juicy citrus aroma, accompanied by an almond and medicinal aroma. It leads to a floral body that is lush without being shocking, one that has orange blossom outlines, tuberose green nuances and some of the powdery and sugared aroma of insolence violets. As it evolves into the base, Aura becomes more familiar, with nuances of vanilla, musks, and an amber and woody impression.
I would say that the choice of name was very clever, because in fact this is a perfume that works like an Aura, but unlike Gabrielle its interest is to transpose this aura from the familiar to the fantasy universe of Thierry Mugler. It is a striking scent but is not challenging in terms of aroma and it is a formula with plenty of room for the brand to work with its countless successful flankers in the coming years.