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3 de ago de 2017

Talismans Osang - Fragrance Review


Português (click for english version):

Criada recentemente, a Talismans é uma marca parente da Mendittorosa que agrupou em si as criações da marca cujo o conceito estavam relacionados a perfumes como talismãs místicos, cada um com uma temática diferente. Recapitulando, em Le Mat temos talismã que representa a busca pelo belo em inconvencional, em Sogno Reale um que se aventura pelo mundo dos sonhos e subconsciente e em Nettuno uma aventura relacionada ao universo e a aura mística de um de seus planetas. Em Osang a marca cria um talismã relacionado ao místico da Itália, homenageando o patrono de Nápoles, São Januário

Pela lenda, o sangue de São Januário se transforma e passa do estado sólido para o estado líquido durante as festividades que acontecem na homenagem ao santo. Esse aspecto sagrado e de metamorfose é retratado em Osang, sendo assim o Talismã da transformação e da proteção. Um perfume que assim celebra santos e superstições em sua essência.

É importante ressaltar que como nos demais integrantes da coleção Osang não faz uma interpretação literal de seus conceitos, e sim uma abstração que une o aspecto clássico, abstrato e poético de suas ideias a sensibilidades modernas do consumidor. Certamente é um desafio, visto que utilizar resinas, bálsamos e materiais clássicos da perfumaria com leveza e persistência requere um ajuste fino para que não se favoreça mais um objetivo ou outro.

Osang me conquista na saída, com uma abertura bem clássica e intensa em seu aroma aldeídico. É algo que me faz pensar nos aldeídos utilizados no Chanel No 5, porém em outro contexto. Simbólicamente eles me parecem representar o sagrado e sobrenatural, já que a natureza de alguns aldeídos em si parece sempre refletir a alma de flores e materiais que não fazem parte desse mundo. As pyrazinas utilizadas acrescentam um aspecto interessante a composição, criando uma aura torrada que remete distantemente a café, se misturando ao aroma floral abstrato e luminoso dos aldeídos. E lentamente a metamorfose e transição acontece para um corpo que utiliza um aroma adocicado de mel e um aroma torrado e especiado de feno-grego com musks e nuances de iris de fundo, sendo que esses parecem também aludir aos perfumes clássicos da era do Chanel No 5. As resinas vão se revelando de forma moderada, dando um aspecto mais adocicado, quente e moderno a base.

Osang me surpreende pela sua sofisticação e delicadeza versus sua persistência. De fato sua tranformação pode ser vista como uma prece, algo que não é feito para se chamar a atenção dos outros. É um perfume condizente com a natureza abstrata, poética e mais pessoal da coleção onde ele se encontra. E é uma das criações da marca com o frasco mais bonito e impressionante, um belo uso de forma e conteúdo.

English:

Created recently, Talismans is a Mendittorosa relative brand that has grouped in itself the creations of its parent whose concept was more related to perfumes as mystical talismans, each with a different theme. To recapitulate, in Le Mat we have a talisman that represents the search for the beautiful in the unconventional, in Sogno Reale one who ventures through the world of dreams and subconscious and in Nettuno an adventure related to the universe and the mystical aura of one of its planets. In Osang the brand creates a talisman related to the mystic of Italy, honoring the patron of Naples, San Gennaro.

Legend says that the blood of San Gennaro changes from solid to liquid during the festivities that take place in honor of the saint. This sacred and metamorphosis aspect is portrayed in Osang, thus being the Talisman of transformation and protection. A scent that thus celebrates saints and superstitions in its essence.
It is important to emphasize that as in the other members of the collection Osang does not make a literal interpretation of its concepts, but rather an abstraction that unites the classic, abstract and poetic aspect of its ideas with the modern consumer sensibilities. Certainly it is a challenge, since using resins, balms and classic perfumery materials with lightness and persistence requires a fine adjustment so that one does not favor one goal or another.

Osang conquers me at the opening with a very classic and intense aldehydic aroma. It's something that makes me think of the aldehydes used in Chanel No 5, but in another context. Symbolically they seem to represent the sacred and supernatural, since the nature of some aldehydes itself always seems to reflect the soul of flowers and materials that are not part of this world. The pyrazines used add an interesting aspect to the composition, creating a roasted aura that distantly refers to coffee, mixing with the abstract and luminous floral aroma of the aldehydes. And slowly the metamorphosis and transition happens to a body that uses a sweet honey scent and a spicy fennugreek with musks and iris nuances in the background, and these also seem to allude to the classic perfumes of the Chanel No era 5. The resins develop in a moderate way, giving a sweeter, warm and modern aura to the base.


Osang surprises me by its sophistication and delicacy versus its persistence. In fact this transformation can be seen as a prayer, something that is not meant to get the attention of others. It is a perfume consistent with the abstract, poetic and more personal nature of the collection where it is found. And it is one of the brand creations with the most beautiful and impressive bottle, a beautiful use of form and content.